Por Joelma Cristina

Mãe, desde que a senhora partiu, tudo ficou diferente.
Os dias têm um silêncio estranho, como se o mundo tivesse perdido um pouco da cor, do som, da vida.
Tem momentos em que quase ouço sua voz lá no fundo da casa, chamando um por um… e trocando os nomes até acertar.
— “Neta, Sinara cadê Nize?!? ah, é você aí mesmo!”
E a gente ria. Porque só uma mãe de quinze filhos conseguiria amar tanto, mesmo misturando os nomes — o amor nunca se confundia.

Lembro com tanto carinho da nossa infância, do quintal cheio de vida, das risadas, da correria, da senhora e pai fazendo o impossível pra dar conta de tudo.
Tínhamos pouco, é verdade, mas tínhamos tudo que importava.

Pai chegava do aeroporto, cansado, mas com um brilho no olhar.
Tirava o salário do bolso e jogava o dinheiro em cima da mesa com aquela alegria simples e sincera:
— “Quem quer dinheiro?”
A senhora dava um sorriso cansado, recolhia as cédulas e já começava a separar o que era pras contas no Armazém Cristal. Era uma dança de amor e sobrevivência. A gente via, mesmo sem entender direito, o quanto vocês se sacrificavam por nós.

E mesmo com as dificuldades, éramos felizes.
Quantas vezes a senhora disse isso olhando pra gente reunido:
— “Éramos felizes porque estávamos todos juntos.”

Hoje, essa frase dói e conforta ao mesmo tempo. Dói porque já não estamos mais todos aqui. Conforta porque sei que aquele amor foi real, e vive dentro da gente até hoje.

Agora que a senhora e pai se foram, ficou esse vazio imenso. Uma saudade que não passa. Uma dor que aperta o peito e faz as lágrimas caírem sem pedir licença.
Tem dias que eu só queria ouvir sua risada mais uma vez.
Ou ver a senhora se enrolar toda chamando os nomes errados — mas com aquele olhar que nunca errava no amor.

Dizem que o tempo ameniza. Mas aqui, parece que a saudade só cresce.
Mesmo assim, sigo. Levo comigo tudo que aprendi com vocês: a força, a fé, o riso mesmo na luta, o valor das pequenas alegrias.

E vivo com a esperança — a mesma que a senhora nunca deixou faltar, mesmo nos dias difíceis — de que, se Deus permitir, um dia vamos nos encontrar de novo.
E quando esse dia chegar, mãe… pode me chamar do nome que quiser. Vou saber que é comigo. Gratidão!

Com amor eterno e saudade sem fim,
Sua filha.

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